Sergipe

Trabalhar, trabalhar e não sair do lugar: Os GRILHÕES INVISIVEIS de quem luta para sobreviver

Quem disse que basta trabalhar para vencer na vida?

Publicado em 09/10/2026, 12:39
Trabalhar, trabalhar e não sair do lugar: Os GRILHÕES INVISIVEIS de quem luta para sobreviver

# GRILHÕES INVISÍVEIS — CAPÍTULO 3

## Trabalho, renda e autonomia: trabalhar basta para ser livre?

*Milhões de brasileiros acordam cedo, enfrentam jornadas cansativas e fazem o possível para sustentar suas famílias. Mas quando o salário mal cobre as despesas, quanto espaço sobra para sonhar, estudar e escolher um futuro diferente?*

**Por Juarez Guide da Veiga | Série especial do Portal Itabaiana News**

### Quando trabalhar muito não significa conseguir melhorar de vida

Ainda está escuro quando o despertador toca.

Em muitas casas brasileiras, o dia começa antes mesmo de o sol aparecer. É preciso preparar o café, organizar as crianças, pegar o transporte e chegar ao trabalho no horário.

Há quem enfrente horas de ônibus. Outros seguem de motocicleta, bicicleta ou a pé. No comércio, nas fábricas, nos escritórios, nas feiras e no campo, milhões de pessoas começam mais um dia de trabalho.

Cada uma carrega suas preocupações, responsabilidades e esperanças.

O desejo, quase sempre, é parecido: garantir o sustento da família e, se possível, construir uma vida um pouco melhor.

Mas imagine dois trabalhadores que cumprem a mesma jornada de oito horas por dia.

O primeiro recebe um salário que permite pagar as contas, reservar algum dinheiro e planejar o futuro.

O segundo também trabalha oito horas. Às vezes, faz horas extras. Mas, quando recebe, o dinheiro já tem destino: aluguel, alimentação, energia, água, transporte e despesas dos filhos.

Quando termina de pagar tudo, quase nada sobra.

Os dois trabalham. Os dois se esforçam. Os dois procuram cumprir suas responsabilidades.

Entretanto, suas possibilidades de escolha são muito diferentes.

Um pode pensar em fazer um curso, abrir um pequeno negócio ou procurar uma oportunidade melhor.

O outro talvez precise concentrar todas as suas energias em conseguir atravessar o mês sem deixar faltar o essencial.

É nesse contraste que encontramos a pergunta central do terceiro capítulo de *Grilhões Invisíveis*:

**Será que trabalhar e se esforçar são suficientes para garantir a uma pessoa condições reais de melhorar de vida?**

Não estamos diminuindo o valor do trabalho. Muito menos afirmando que o esforço individual não importa.

Estamos procurando compreender por que pessoas igualmente dedicadas podem encontrar oportunidades tão diferentes ao longo da vida.

### Ter liberdade é também poder escolher

Quando ouvimos a palavra liberdade, costumamos pensar no direito de ir e vir, de falar, de trabalhar e de tomar nossas próprias decisões.

Mas existe uma dimensão da liberdade que nem sempre percebemos.

É a possibilidade real de escolher entre diferentes caminhos.

Imagine um trabalhador que está insatisfeito com seu emprego. Ele recebe pouco, enfrenta uma jornada difícil e gostaria de procurar uma oportunidade melhor.

Se tiver alguma reserva financeira, poderá avaliar propostas e planejar uma mudança.

Mas, se depender daquele salário para comprar a comida da semana seguinte, talvez não consiga correr esse risco.

Ele continua tendo o direito de procurar outro emprego.

O que lhe falta é a segurança necessária para exercer esse direito sem colocar o sustento da família em perigo.

Essa diferença ajuda a compreender o significado de autonomia.

Autonomia não é fazer tudo o que queremos, sem limites ou responsabilidades. É possuir condições para participar das decisões que determinam o rumo da nossa própria vida.

E, quando as alternativas são poucas, essa liberdade pode ficar bastante reduzida.

### O Brasil tem mais gente trabalhando. Mas isso conta toda a história?

Os números oficiais ajudam a compreender parte dessa realidade.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa anual de desocupação no país foi de 5,6% em 2025, o menor resultado da série histórica iniciada em 2012.

Naquele ano, aproximadamente 103 milhões de brasileiros estavam ocupados.

É um resultado importante.

Ter mais pessoas trabalhando representa um avanço no mercado de trabalho.

Entretanto, outro indicador merece atenção: em 2025, a informalidade atingiu 38,1% da população ocupada.

Isso significa que uma parcela expressiva dos trabalhadores exercia atividades classificadas como informais pela pesquisa.

A informalidade, por si só, não significa necessariamente baixa renda ou ausência de realização profissional. Há trabalhadores por conta própria e empreendedores que conseguem construir negócios bem-sucedidos.

Mas também existem pessoas que enfrentam rendimentos instáveis, dificuldades de proteção previdenciária e insegurança diante de uma doença ou interrupção do trabalho.

Por isso, quando observamos o mercado de trabalho, não basta perguntar quantas pessoas conseguiram uma ocupação.

Precisamos saber também quanto recebem, em quais condições trabalham e se conseguem construir alguma segurança para o futuro.

Porque estar empregado e ter tranquilidade financeira não são necessariamente a mesma coisa.

### O trabalhador que precisa estudar, mas não pode parar de trabalhar

Vamos imaginar uma situação bastante comum.

Um trabalhador recebe R$ 1.800 por mês. Depois de pagar as despesas básicas, sobra muito pouco.

Ele gostaria de fazer um curso profissionalizante. Acredita que, aprendendo uma nova atividade, poderá disputar vagas melhores e aumentar sua renda.

Mas existe um problema.

O curso exige tempo. Talvez precise pagar transporte. Em alguns dias, poderá ser necessário sair mais cedo do trabalho.

E como fazer isso quando cada hora trabalhada ajuda a pagar as contas da casa?

Ele sabe que estudar pode abrir portas.

Mas também sabe que não pode deixar faltar comida.

É uma situação difícil: precisa trabalhar para sobreviver hoje, mas gostaria de estudar para ter uma vida melhor amanhã.

Agora imagine outra pessoa, com a mesma capacidade e a mesma vontade de aprender, mas que recebe apoio financeiro da família e dispõe de tempo para se qualificar.

As duas podem alcançar bons resultados.

Entretanto, não estão começando a caminhada nas mesmas condições.

É importante compreender que essa diferença não determina o destino de ninguém. Muitas pessoas superam dificuldades extraordinárias.

Mas também não podemos transformar histórias de superação em prova de que todos possuem as mesmas oportunidades.

O esforço pode abrir caminhos.

**Ter condições de transformar esse esforço em oportunidade também faz diferença.**

### Estudar vale a pena? O que dizem os números?

A educação não é uma promessa automática de emprego ou prosperidade.

Existem pessoas com diplomas universitários que enfrentam dificuldades para conseguir trabalho. Há profissionais qualificados que recebem salários baixos e pessoas sem ensino superior que constroem trajetórias profissionais bem-sucedidas.

A vida não segue uma fórmula única.

Entretanto, a escolaridade está associada a diferenças importantes no mercado de trabalho.

No primeiro trimestre de 2026, segundo dados da PNAD Contínua apresentados pelo IBGE, a taxa de desocupação entre pessoas com ensino médio incompleto foi de 10,8%.

Entre aquelas com ensino superior completo, o percentual foi de 3,7%.

Essa diferença não significa que o diploma seja o único responsável pelo resultado.

Experiência, idade, localização, atividade econômica e outros fatores também influenciam as oportunidades.

Mas os números mostram que, naquele período, os grupos com diferentes níveis de escolaridade enfrentavam situações distintas em relação ao desemprego.

E isso nos leva a outra pergunta:

Se a educação pode ampliar possibilidades, o que acontece com quem deseja estudar, mas não encontra condições para continuar?

### O lugar onde nascemos também influencia nossa caminhada

Pense em duas crianças.

Uma cresce em uma família que consegue oferecer computador, internet, cursos complementares e transporte para estudar.

A outra vive em uma casa onde todos precisam contribuir para manter as despesas em dia. Talvez more longe da escola, não tenha acesso adequado à internet ou precise começar a trabalhar muito cedo.

Nenhuma delas escolheu onde nascer.

Nenhuma escolheu as condições econômicas da própria família.

E, ainda assim, essas circunstâncias podem influenciar as oportunidades que encontrarão ao longo da vida.

Essa reflexão é especialmente importante quando olhamos para diferentes realidades do Brasil.

Em cidades do interior nordestino, por exemplo, um jovem pode precisar viajar diariamente para estudar ou trabalhar em outro município.

O curso pode ser gratuito, mas o transporte custa dinheiro.

A vaga pode existir, mas a distância dificulta o acesso.

A oportunidade pode estar anunciada, mas nem todos conseguem aproveitá-la.

Isso não significa que o Nordeste seja uma região sem oportunidades, nem que seus habitantes estejam condenados a enfrentar dificuldades.

Significa apenas que precisamos observar as condições concretas em que cada pessoa vive.

O mesmo raciocínio vale para comunidades rurais, periferias urbanas e municípios de todas as regiões brasileiras.

Não se trata de comparar quem merece mais.

Trata-se de compreender por que alguns caminhos são mais acessíveis para determinadas pessoas do que para outras.

### Quando a necessidade fala mais alto que a vontade

Imagine um pai de família desempregado há vários meses.

As contas estão atrasadas. O aluguel está vencendo. As crianças precisam de alimentação e material escolar.

Finalmente, surge uma proposta de trabalho.

O salário é baixo. A jornada é cansativa. As possibilidades de crescimento parecem pequenas.

Ele gostaria de encontrar algo melhor.

Mas pode esperar?

Talvez não.

Então aceita.

Não porque desconheça o valor do próprio trabalho. Nem porque tenha deixado de sonhar com uma vida melhor.

Aceita porque precisa resolver uma necessidade urgente.

É importante compreender essa realidade antes de julgar as escolhas de alguém.

Muitas decisões que parecem incompreensíveis para quem observa de fora fazem todo o sentido para quem está vivendo aquela situação.

O pequeno comerciante que aceita condições difíceis para não fechar as portas, a mãe que adia os estudos para cuidar dos filhos ou o jovem que começa a trabalhar cedo para ajudar em casa podem enfrentar dilemas semelhantes.

Isso não significa que todas essas situações sejam consequência de exploração ou irregularidade.

Significa que a necessidade influencia profundamente nossas escolhas.

E quanto menor o número de alternativas disponíveis, mais difícil pode ser decidir com tranquilidade.

### De quem é a responsabilidade por criar oportunidades?

Essa pergunta não pode ser respondida apontando apenas para o indivíduo.

Cada pessoa possui responsabilidades sobre a própria vida. Buscar conhecimento, desenvolver habilidades e planejar o futuro são atitudes importantes, dentro das possibilidades de cada um.

Mas nenhuma trajetória humana acontece completamente isolada.

A família pode oferecer apoio. A escola participa da formação. As empresas geram oportunidades de trabalho. O poder público possui responsabilidades relacionadas à educação, à infraestrutura e à proteção social.

A Constituição Federal estabelece, entre os objetivos fundamentais da República, a redução das desigualdades sociais e regionais.

Também reconhece a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, com finalidades que incluem o desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho.

Esses princípios não significam que todos terão resultados iguais.

Mas indicam responsabilidades que merecem ser acompanhadas pela sociedade.

Os cursos profissionalizantes chegam a quem mais precisa? Existem condições de transporte para os estudantes? As oportunidades de emprego correspondem à formação oferecida? As mães que trabalham encontram apoio para cuidar dos filhos?

E os pequenos empreendedores, conseguem orientação e acesso aos recursos necessários para desenvolver suas atividades?

São perguntas que podem ser respondidas por meio de dados, documentos, entrevistas e avaliação das políticas existentes.

Não precisamos escolher culpados antes de investigar.

Precisamos compreender quais iniciativas funcionam, quais enfrentam dificuldades e o que ainda pode ser melhorado.

### Receber ajuda não é motivo de vergonha

Existe uma questão que merece especial cuidado.

Quando falamos em dependência econômica, algumas pessoas associam imediatamente o assunto a programas sociais.

Essa associação pode produzir julgamentos injustos.

Todos nós precisamos de ajuda em algum momento da vida.

Uma criança depende da família. Uma pessoa doente pode necessitar de cuidados. Um trabalhador desempregado pode precisar de apoio até conseguir outra colocação.

Receber ajuda não diminui a dignidade de ninguém.

Programas sociais e serviços públicos podem ser fundamentais para proteger famílias em situações difíceis.

A questão que precisamos investigar não é se alguém merece respeito por receber ou não um benefício. Esse respeito deve existir em qualquer circunstância.

A pergunta é como a proteção social pode caminhar junto com a educação, a qualificação e a ampliação das oportunidades.

Uma família pode precisar de assistência hoje e desejar construir uma situação mais segura amanhã.

Uma coisa não precisa excluir a outra.

Também não podemos presumir que quem recebe um benefício não queira trabalhar, não procure melhorar de vida ou faça determinadas escolhas políticas.

Essas conclusões exigiriam evidências que não podem ser substituídas por preconceitos.

O cidadão precisa ser respeitado por sua condição humana, e não pelo tamanho de sua renda.

### Quando uma oportunidade existe, mas está fora do alcance

Imagine que uma instituição anuncie um curso profissionalizante gratuito.

As inscrições estão abertas. As aulas são de qualidade. Ao final, os participantes receberão um certificado.

Parece uma excelente oportunidade.

Mas o curso acontece em outra cidade.

Para frequentá-lo, um trabalhador precisaria pagar transporte, alimentar-se fora de casa e talvez perder algumas horas de serviço.

O curso é gratuito.

Participar dele, porém, pode custar caro para quem possui poucos recursos.

Essa situação revela uma diferença importante entre oferecer uma oportunidade e garantir condições para que ela seja aproveitada.

O mesmo pode acontecer com uma vaga de emprego que exige deslocamento diário, um serviço público que depende de agendamento pela internet ou uma inscrição que solicita documentos difíceis de obter.

Não significa que essas iniciativas não tenham valor.

Significa que precisamos observar também as barreiras enfrentadas por quem deseja participar.

Porque uma porta aberta nem sempre é uma porta ao alcance de todos.

### Os grilhões que não aparecem

Chegamos, então, ao sentido mais profundo deste capítulo.

Os grilhões invisíveis não são correntes de ferro.

São uma maneira de representar limitações que podem reduzir as possibilidades de uma pessoa sem impedir formalmente sua liberdade.

Um trabalhador pode ter o direito de estudar, mas não encontrar tempo ou recursos para isso.

Pode ter liberdade para procurar outro emprego, mas não conseguir ficar sequer uma semana sem salário.

Pode sonhar em abrir um negócio, mas não possuir condições de assumir o risco.

Pode conhecer seus direitos e ainda enfrentar dificuldades para exercê-los.

Nenhuma dessas situações significa que a pessoa esteja destinada ao fracasso.

Mas todas nos convidam a compreender a distância entre aquilo que desejamos fazer e aquilo que nossas condições permitem realizar.

Essa distância não deve ser ignorada.

Também não deve ser utilizada para desvalorizar o esforço, a coragem e a capacidade de superação de milhões de brasileiros.

O desafio é reconhecer as dificuldades sem transformar ninguém em vítima permanente de sua própria história.

### Conhecimento abre os olhos. Oportunidade ajuda a abrir os caminhos.

Nos capítulos anteriores, falamos sobre a importância de compreender informações, contratos, juros e decisões que afetam nossa vida.

Agora percebemos que existe outra dimensão dessa discussão.

Uma pessoa pode conhecer perfeitamente suas alternativas e, ainda assim, não possuir condições para aproveitá-las.

Pode saber que precisa estudar, mas não conseguir pagar o transporte.

Pode compreender que determinado emprego oferece poucas perspectivas, mas precisar dele para sustentar a família.

Pode identificar uma oportunidade de negócio e não ter recursos para começar.

Por isso, conhecimento e oportunidade precisam ser observados em conjunto.

O conhecimento pode ajudar alguém a enxergar possibilidades.

As condições materiais, sociais e econômicas influenciam sua capacidade de agir.

E uma sociedade que deseja ampliar a autonomia de seus cidadãos precisa compreender essas duas realidades.

### Afinal, trabalhar basta para ser livre?

Talvez a resposta mais responsável seja reconhecer que o trabalho é fundamental, mas não resolve sozinho todas as dificuldades da vida.

Trabalhar pode proporcionar renda, dignidade, realização pessoal e independência.

Mas a possibilidade de construir um futuro mais seguro também depende das condições de trabalho, do acesso à educação, da saúde, da infraestrutura e das oportunidades disponíveis.

Não podemos prometer que todo esforço será recompensado da mesma maneira.

Também não podemos dizer que as dificuldades sejam impossíveis de superar.

O que podemos fazer é investigar, aprender e procurar compreender melhor a realidade.

E, acima de tudo, evitar julgamentos precipitados sobre a vida de quem enfrenta desafios que talvez nunca tenhamos experimentado.

Antes de chamar alguém de acomodado, precisamos conhecer sua história.

Antes de afirmar que determinada pessoa não quer crescer, precisamos saber quais caminhos estavam realmente disponíveis para ela.

Antes de dizer que basta trabalhar mais, precisamos compreender quanto essa pessoa já trabalha e o que consegue construir com aquilo que recebe.

Talvez uma das maiores lições deste capítulo esteja justamente aí:

**Nem sempre falta vontade de caminhar. Às vezes, faltam condições para chegar ao caminho.**

### A pergunta que fica

Olhe para sua família, seus vizinhos, seus amigos e colegas de trabalho.

Quantas pessoas você conhece que acordam cedo, trabalham muito e, mesmo assim, enfrentam dificuldades para melhorar de vida?

Quantas precisaram abandonar um sonho porque as necessidades da família falaram mais alto?

Quantas gostariam de estudar, empreender ou mudar de profissão, mas ainda não encontraram uma oportunidade possível?

E quantas vezes nós mesmos tivemos de escolher não aquilo que desejávamos, mas aquilo que as circunstâncias permitiam?

Essas perguntas não possuem uma resposta única.

Cada história tem suas particularidades.

Mas todas merecem ser ouvidas com respeito.

Porque uma sociedade não se torna mais justa simplesmente dizendo às pessoas que precisam se esforçar.

Ela também precisa compreender quais condições permitem que esse esforço se transforme em oportunidade.

E talvez seja essa uma das mensagens mais importantes de *Grilhões Invisíveis*:

**A liberdade não está apenas em saber que existem outros caminhos. Está também em ter condições reais de percorrê-los.**

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### GRILHÕES INVISÍVEIS — Uma série especial do Portal Itabaiana News

Nossa proposta não é julgar quem trabalha, quem está desempregado, quem empreende ou quem necessita de assistência.

Queremos investigar como o conhecimento, a renda e as oportunidades influenciam a capacidade de cada cidadão tomar decisões sobre a própria vida.

Não buscamos conclusões antecipadas nem pretendemos escolher pelo leitor.

Buscamos informações que ajudem cada pessoa a compreender sua realidade e formar suas próprias opiniões.

**A hipótese pode ser nossa. A conclusão pertence aos fatos.**

### No próximo capítulo

**Capítulo 4 — Igualdade perante a lei: igualdade no papel ou na vida real?**

A Constituição afirma que todos são iguais perante a lei. Mas será que todas as pessoas possuem as mesmas condições para conhecer seus direitos, procurar orientação e acessar a Justiça?

No próximo capítulo, vamos investigar a distância que pode existir entre um direito garantido e a possibilidade real de exercê-lo.

### Fontes consultadas

- IBGE — PNAD Contínua: resultados anuais de 2025, taxa de desocupação e informalidade.

- IBGE — PNAD Contínua: primeiro trimestre de 2026, desocupação por nível de instrução.

- Constituição Federal de 1988 — artigos 3º, 5º e 205.

- IBGE — Informações metodológicas sobre os indicadores do mercado de trabalho.

*Nota editorial: os exemplos pessoais utilizados nesta reportagem são ilustrativos. Os indicadores estatísticos referem-se aos períodos e grupos apresentados e não demonstram, isoladamente, relações de causa e efeito.*

Juarez Guide da Veiga

Colunista — Cotidiano, Sociedade, Comportamento Humano, Cidadania e Reflexões.

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