Quanto vale uma vida no trânsito de Aracaju?
A economia e a rapidez da moto valem mais do que uma vida?
Quanto vale uma vida no trânsito de Aracaju?
Conversando com amigos que utilizam o transporte de moto por aplicativo, ouvi que eles começam a rezar desde a hora de fazer o pedido até o momento em que descem do veículo...
A cena é familiar e, infelizmente, muito comum. Ou seja, o passageiro de moto por aplicativo, em vez de relaxar durante o trajeto, apenas, reza...
Afinal, não sabe se o condutor bebeu ou usou algum tipo de entorpecente... Não sabe se ele tem habilitação, se enxerga direito, se tem destreza ao volante... Não sabe como está a situação emocional, psíquica ou psicológica do condutor... E o mais grave, não sabe se o seu anjo da guarda está de plantão naquele momento...
E quando reclama da velocidade, vê o motoqueiro reduzir por alguns segundos, mas logo a aceleração imprudente é retomada e mantida...
Esse relato, frequente nas conversas do dia a dia, não é apenas uma reclamação, é o reflexo de uma crise de segurança que custa vidas...
O transporte por motocicleta se popularizou pela rapidez de se movimentar no trânsito e pelo custo mais acessível do que o de um carro. No entanto, na busca por esses dois benefícios, o preço que se paga é, sumariamente, ignorado...
Os números da capital sergipana acendem um alerta severo, sonoro, luminoso e bem vermelho. A motocicleta, ágil e vulnerável, é a protagonista de dados extremamente preocupantes...
Segundo a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), a situação chega a ser dramática: O número de acidentes com motos na capital cresceu muito, entre 2024 e 2025, e isso mostra uma tendência de piora na segurança...
Quase metade (48%) dos acidentes de trânsito registrados na cidade envolvem motociclistas...
Houve um crescimento de 44,4% no número de vidas perdidas em acidentes com motocicletas, ao comparar o período de janeiro a maio de 2024 com o mesmo período de 2025...
Os motociclistas continuam sendo as principais vítimas, representando aproximadamente 70% de todas as ocorrências de trânsito com vítimas (Fatais ou feridos) na capital sergipana...
E esse aumento considerável tem uma relação direta com a imprudência, como o excesso de velocidade, avanço de sinal, manobras arriscadas, desrespeito às leis de trânsito e desafio as leis da física.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro! No entanto, quando o condutor escolhe ignorar os limites de velocidade, costurar entre carros, subir nas calçadas e canteiros ou avançar o sinal, ele transforma o serviço de transporte em uma roleta-russa para o passageiro.
O relato daqueles que rezam é a prova viva de que a percepção de risco é altíssima... A decisão de pegar uma moto para economizar 5 reais ou ganhar 10 minutos no trajeto se tornou uma aposta.
Será que a economia de alguns reais e o ganho de poucos minutos valem mais do que o risco de uma fratura grave, de uma lesão permanente ou, até mesmo, da perda de uma vida?
A segurança no trânsito é uma responsabilidade compartilhada. As plataformas precisam fiscalizar de forma mais rigorosa a velocidade e o comportamento dos condutores, utilizando a telemetria e a tecnologia... Os passageiros precisam exercer seu direito à segurança, reportando a imprudência... E os condutores precisam lembrar que estão transportando vidas, não apenas uma encomenda, e que cada segundo de aceleração irresponsável pode ser a causa da próxima queda.
Se você se identificou com este artigo e é um passageiro de moto por aplicativo, lembre-se de falar com firmeza e não hesitar em pedir ao condutor para reduzir a velocidade... E, mais importante, sempre dê uma baixa avaliação e reporte a velocidade excessiva e outras imprudências cometidas pelo condutor. Esta é a ferramenta mais poderosa para tirar os imprudentes das ruas, se protegendo e protegendo outros atores do trânsito da nossa cidade.
Por Edmar Nogueira da Rocha
Consultor, Terapeuta e Palestrante
Colunista — Cotidiano
